ΑΝΕΞΑΡΤΗΤΟΙ ΠΑΝΑΘΗΝΑΙΚΟΙ
Το blog απευθύνεται αυστηρώςPublished on: 24.04.2012
O depois ponderado desenha-se como desespero, sabe a ferro.
Não é a lua, a noite. Não é o mar, o barco. É, sabes bem.
A noite evanesceu numa palidez opaca, filtro fotográfico que a memória confere ao tempo breve. A manhã, feita de silêncio ou abandono, cresceu na sua sombra. O dia carregou as gotas túrgidas dos vapores que a ponta da língua foi clamar à pele chamuscada, o clamor e o frenesim constrito dos músculos, a evasão extra-corpórea dos sentidos. Na memória da noite, uma pedra vulcânica.
O dia goteja gordas glosas que soçobram o solipsista. Tem um coração impermeável onde guarda toda a razão mas não consegue ignorar o cinza-chuva que turva os espaços por onde lhe chega a primavera.
Os dias da febre.
O corpo todo, músculo, tendão, em frémito,
A pele lavada de langor,
Quente, húmido,
Na ânsia.
Do paroxismo que não vem.
Do movimento circular.
Da repetição.
Da intoxicação ébria.
De ir à estratosfera e regressar.

