ΑΝΕΞΑΡΤΗΤΟΙ ΠΑΝΑΘΗΝΑΙΚΟΙ
Το blog απευθύνεται αυστηρώςPublished on: 24.04.2012

“mon malheur (...)
observe un silence d’océan”
René Depestre
O oceano observa depois
o nosso infortúnio
em silêncio
as espumas iluminam
os areais, após o fio
das navalhas dilacerar
por dentro a terra
depois
do cume das ondas gigantes
que inunda de frio
os homens
por agora quando observamos
o mar
fazemo-lo
em grande silêncio
17/5/2012

Deixem Atenas respirar
à borda do Egeu
o ar de vidro transparente
e claro que corre do Egeu
Deixem que goze as sombras brancas
no sol das suas casas claras
poderíamos deixar a Grécia em paz
Que falta faz Platão
para verter grinaldas nas cabeças
dos homens e mulheres
que sabem tanto sobre os gregos
como dormem, comem, gastam
o seu corpo no amor, gastam
o que é nosso – dizem eles
Platão mandá-los-á para fora da cidade
entregues à mimésis uns dos outros.

Valeu uma cabeça, o corpo
a sair dos véus, a luxúria
enlaçava os braços
nus dançando, os olhos
seduzindo a morte,
como poços negros
convidavam
ao prazer da carne
mais escondido.
Valeu uma cabeça, cada perna
a esgrimir com os desejos
como um florete frio.
Valeu uma cabeça, a bela
cabeleira a fustigar
o ar enlouquecido.
8/5/2012

Jesus em más companhias
- dizia o olho humano
arranhavam as línguas
das víboras
E o vaso quebrado com unguento
Seus pés enxutos
nos cabelos de mulher
E o sábado dessagrado
E a porta larga de Mateus
E a alegria à mesa posta pelos publicanos
disseram
até dos Seus olhos que fugiam
da multidão para os ramos da figueira
onde o Zaqueu crescia.
1/5/2012

Já escrevi poemas em Paris e Nova Iorque e pus as datas
Mil novecentos e noventa e pouco, hoje
mais velho e mais humilde
escrevo em casa
e deixo a minha gata passear
sobre eles.
1/5/2012

